sábado, 4 de junho de 2016

Os manuscritos de Nag Hammadi, o contexto de seu escondimento e descobrimento - pequena introdução

Os manuscritos de Nag Hammadi foram descobertos em dezembro de 1945, ano que marca o fim da Segunda Guerra Mundial. Há que se considerar a época em que aparecem, que era de dor e profundas transformações que se seguiriam nos anos posteriores. Foram encontrados por dois irmãos egípcios que procuravam fertilizantes em cavernas. Os manuscritos foram conservados por mais de um milênio em um vaso lacrado, escondidos no deserto. É comumente aceito que, após as definições do Concílio de Niceia, monges de um mosteiro próximo à região tenham escondido esses manuscritos, preferindo agir assim do que destruí-los. Os manuscritos permitiram revelar uma faceta.

O cristianismo foi introduzido e se popularizou no Egito nos primeiros séculos da era cristã. Diz a tradição que teria sido introduzido pelo evangelista São Marcos, que teria sido bispo de Alexandria. No Egito que surgiu o monaquismo, sendo os mosteiros egípcios os mais antigos que conhecemos na cristandade. (1)
O fundador desses primeiros mosteiros foi São Pacômio. O primeiro destes mosteiros primitivos foi estabelecido entre 318 323em Tabennisi, no Egito. (2) Não conhecemos a localização exata de Tabennisi (atualmente não existe), onde São Pacômio fundou a primeira comunidade cenobítica. Sua localização é estimada no Sul do Egito (Alto Egito). Mas a atividade do santo fundador dos primeiros mosteiros da cristandade desenvolveu-se entre Luxor (atual Al-Uqsur) e Akhmim, mais ao norte. Nessa região o santo organizou nove mosteiros para homens e dois para mulheres durante os 25 anos de seu ministério. O centro geográfico da região onde São Pacômio criou os mosteiros é Nag Hammadi. Todos os mosteiros tinham a mesma organização e o mesmo padrão de construção (3).

A hipótese mais aceita para explicar o fato dos documentos terem sido escondidos em uma área de difícil acesso, em uma região cheia de cavernas, é que monges de um mosteiro próximo teriam o retirado do mosteiro onde viviam e os escondido lá. O motivo para essa deliberação e ação teria sido o concílio de Nicéia, que procurou dar unidade à Igreja. Essas obras não seriam mais aceitas pela Igreja a partir daí. Sendo verdadeira essa hipótese, ela levanta um outro lado da questão. Até então essas obras frequentavam bibliotecas de mosteiros e eram lidas e discutidas por monges e fiéis.

O concílio de Nicéia foi o primeiro concílio universal, ecumênico, com participação de todos os líderes da Igreja. Seu objetivo principal era combater a doutrina de Ário, que era muito popular na ocasião, a ponto de ter a simpatia do próprio imperador Constantino. O arianismo negava a divindade de Cristo, afirmando que não havia n'Ele substância divina, mas que ele seria uma criatura de Deus. Negava também a doutrina da Santíssima Trindade. (4) (5)

Existe uma proximidade do arianismo com o gnosticismo, segundo alguns teólogos, até porque foram dois movimentos contemporâneos(6). Podemos notar que a condenação formal do arianismo no Concílio de Nicéia acabou levando a um esconderijo remoto em uma região desértica os documentos hoje conhecidos como manuscritos de Nag Hammadi.

A maior parte dos documentos refere-se ao gnosticismo egípcio ou siro-egípcio, a vertente ocidental do gnosticismo histórico, e são documentos, majoritariamente, pertenciam aos gnósticos chamados setianos, sobre os quais, em determinado momento, o platonismo passou a exercer importante influência..(7)

Notas.


(1)“O Cristianismo existe no Egipto desde a sua aurora. A tradição atribui a evangelização naquela região ao Evangelista São Marcos, que terá sido bispo de Alexandria.
Desde os primeiros tempos da era cristã Alexandria assumiu uma enorme importância na Igreja Universal. Era um grande centro de educação cristã e só se encontrava atrás de Roma na hierarquia dos primeiros quatro Patriarcados – Roma, Alexandria, Antioquia e Jerusalém.
(2)”Ao perceber a força do cristianismo, Pacômio introduziu a vida monástica comum baseada na disciplina e na autoridade, substituindo os anacoretas. Os anacoretas eram os monges que viviam sozinhos no deserto. Os problemas desta vida individualizada começaram a se tornar insustentáveis. Pacômio resolveu fundar um mosteiro, com regras definidas, onde todos pudessem viver em comunidade. O mosteiro tinha uma estrutura rígida, baseada na disciplina e na obediência. Era formado por vários edifícios ou casas, construídas dentro de muralhas. Havia também uma igreja, um refeitório, uma cozinha, uma hospedaria e uma biblioteca. A base da vida religiosa era constituída pela castidade, pobreza e obediência ao superior. Pontualidade, silêncio, disciplina, recitação de certas preces, algumas penitências, tudo isso fazia parte do dia a dia de um mosteiro. São Pacômio morreu em 348, Na época os mosteiros por ele fundados abrigavam cerca de sete mil monges.”

(3) Foi na região do Egipto que nasceu a tradição do monaquismo, preconizada por Santo Antão. Ainda hoje os mosteiros são uma pedra angular da cultura e espiritualidade cristã copta, incluindo uma iconografia muito rica e distinta.”

(5) http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/historia_da_igreja/primeiro_concilio_ecumenico_de_niceia.html


John D. Turner (2001). Sethian Gnosticism and the Platonic Tradition Presses Université Laval [S.l.] pp. 257–. ISBN 978-2-7637-7834-1.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

As lembranças de Bolsonaro

A fala do deputado Jair Bolsonaro, ao justificar seu voto a favor da admissibilidade do pedido de impeachment da presidente Dilma, na sessão da Câmara dos Deputados no dia 17 de abril, declarando homenagear com seu voto o coronel Brilhante Ulstra, causou polêmica. Setores habitualmente rotulados como esquerda e direita se dividiram quanto a esse pronunciamento.
Na esquerda a reação foi a previsível. A OAB logo veio a público, por meio de algum de seus dirigentes, dizer que a entidade classista dos bacharéis não deixaria impune a fala do deputado na tribuna parlamentar. No campo da direita, sem se chegar ao extremo de propor retaliações ao parlamentar por sua intervenção no plenário, também houve reações de desgosto.  O respeitado colunista Reinaldo Azevedo condenou com veemência a fala do deputado do PSC, em seu programa "Pingos nos ii", na Rádio Jovem Pan. Reinaldo sempre é um homem que se preocupa em fundamentar os seus textos e suas falas. O Movimento Brasil Livre, um dos principais organizadores e inspiradores da grande mobilização popular dos "coxinhas" também demonstrou descontentamento com a fala do deputado. 
O Coronel Carlos Alberto Brilhante Ulstra morreu na madrugada de 15 de outubro de 2015, em Brasília, em decorrência de um câncer e de complicações cardíacas. Vários integrantes do Ministério Público Federal o haviam acusado por ser responsável por mortes e torturas que teriam ocorrido em dependências do II Exército, mais especificamente na repartição denominada DOI-CODI, que foi comandada por Ulstra nos anos 70. O doutor Paulo Esteves, advogado que defendia o coronel, declarou, no dia da morte de Ulstra que "ele morreu sem nunca ter sido condenado". Não faltou com a verdade. Em declarações à imprensa o advogado afirmou que "uma decisão liminar do Supremo Tribunal Federal suspendeu todas as ações propostas pelo Ministério Público Federal contra o ex-chefe " DOI-CODI. “A Corte assim decidiu por causa da Lei da Anistia.”
Segundo o site "Fatos Desconhecidos" (visualizado dia 20 de abril de 2016, endereço da página: http://www.fatosdesconhecidos.com.br/quem-foi-carlos-alberto-brilhante-ustra/)  "Ustra lançou dois livros: Rompendo o silêncio, em que narra sua passagem pelo DOI/CODI, no período de 1970 a 1974, além da Operação Bandeirante (OBAN). Em 2006, lançou o livro A Verdade Sufocada, em que conta sua versão dos fatos que viveu durante a ditadura. O livro possui dez edições publicadas e a soma das tiragens ultrapassaram vinte mil exemplares."
Em suas obras o coronel Brilhante Ulstra, mostrando-se ousado em se levantar contra a verdade oficial e vencedora, justificava suas ações na época com o argumento de que se não tivesse havido ação dos militares a guerrilha teria vencido e implantado no Brasil a "ditadura do proletariado", um regime então inspirado no que havia na União Soviética, China, Albânia, leste europeu e que ainda mantém vestígios em Cuba e na Coreia do Norte. 
Há coisas que não podem ser negadas. Os guerrilheiros que se juntaram em organizações armadas para derrotar o governo militar tinham como objetivo implantar o socialismo. Isso é fartamente provado por toda a documentação, inclusive panfletos, distribuídos por esses grupos naquele tempo. Segundo, houve excessos dos militares na repressão. Houve torturas, desaparecimentos e mortes, além de prisões injustas. 
Consideremos que, se a maioria dos brasileiros nunca quis viver sob um regime ditatorial comunista, também a maioria dos brasileiros não aceita a ideia de que tenha havido tortura e excessos nos quartéis e delegacias de polícia naquele período, como não aceitaria hoje tal ideia. 
A fala do deputado Bolsonaro trouxe à tona velhos fantasmas e não parece bom que nesse momento de crise política, econômica, moral e impasses gravíssimos na vida nacional, que esses velhos fantasmas apareçam para assombrar uma cena conturbada. O que não pode parecer admissível para pessoas sensatas é que haja, na direita, setores que chegam ao extremo de não admitir que houve excessos no período considerado e que haja, na esquerda, setores que chegam ao extremo de negar que o objetivo da luta armada naqueles tempos era a implantação da "ditadura do proletariado" e que o comunismo foi o regime que mais matou, por execuções, torturas e prisões, além de miséria e fome, mais pessoas em toda a história da humanidade. 

domingo, 14 de dezembro de 2014

Atualidade da Medicina: os "escravos do povo" pensam e sentem?


Dalai Lama pediu que as pessoas usem as suas profissões como uma contribuição à paz e ao futuro da humanidade. Esse apelo pode ser entendido como dirigido a cada indivíduo e sua consciência. Não pode ser entendido no contexto de governos que ignoram anseios e capacidades dos profissionais e sequestram o trabalho alheio para impor concepções próprias dos grupos políticos que controlam o poder. A matéria está em
http://m.jb.com.br/internacional/noticias/2014/12/14/dalai-lama-diz-que-pode-ser-fonte-de-problemas/ A declaração citada é:
"Usem suas profissões para contribuírem à paz e ao futuro da humanidade", disse o líder espiritual. "É preciso desenvolver um senso de responsabilidade universal, diariamente e 24 horas por dia, sem muitas expectativas".
Não se pode esperar resultados elevados quando o trabalho é compulsivo, submetido a ditames de mando e de medo.
Li, recentemente em um blog (do Alexandre Borges) algumas palavras que descrevem a forma com que as pessoas estão encarando acontecimentos e decisões que merecem reflexão e atenção. Ele se referiu a um livro escrito em 2005 por Malcolm Gladwell, intitulado "Blink: a decisão num piscar de olhos." As decisões são tomadas antes que você tenha tempo para pensar e refletir. É um mundo em que as primeiras impressões e as ideias instantâneas são as que ficam, com a velocidade das redes sociais. Quantos absurdos as pessoas aceitam sem que possam refletir em um tempo certo sobre o mal que está abatendo sobre elas, seus semelhantes, seus filhos, a curto, longo e médio prazo?
Em uma obra de ficção traduzida em português com o título de "A revolta de Atlas", a novelista e roteirista russa Ayn Rand, que viveu nos Estados Unidos, descreve uma situação gerada pela revolta das pessoas mais capacitadas de uma sociedade quando o governo começou a avançar no controle de comportamento, a criminalizar cada vez mais as ações propriamente humanas. As pessoas mais capacitadas, trabalhadores qualificados, empreendedores, inventores, intelectuais, médicos, começam a abandonar as cidades e viver incógnitos em comunidades menores e de difícil acesso. O livro, lançado nos anos 50, está na lista dos mais vendidos do mundo, é um dos livros mais lidos dos Estados Unidos e, quando foi lançado, atingiu rapidamente a marca de 11 milhões de cópias. Esse livro influente, tem sua versão em português. Quem se interessar pode procurar no link:
http://www.amazon.com/Revolta-Atlas-Shrugged-Volumes-Portugues/dp/8599296833
Um dos personagens é um neurocirurgião altamente qualificado e famoso, que também abandona tudo para se refugiar em uma área remota. Diz o personagem (Dr. Hendricks):
"Parei quando a medicina foi colocada sob controle estatal há alguns anos – contou o Dr. Hendricks. – A senhorita imagina o que é preciso saber para operar um cérebro? Sabe o tipo de especialização que isso requer, os anos de dedicação apaixonada, implacável, absoluta para atingi-la? Foi isso que me recusei a colocar à disposição de homens cuja única qualificação para mandar em mim era sua capacidade de vomitar as generalidades fraudulentas graças às quais conseguiram se eleger para cargos que lhes conferem o privilégio de impor sua vontade pela força das armas.
Não deixei que determinassem o objetivo ao qual eu dedicara meus anos de formação, nem as condições sob as quais eu trabalharia, nem a escolha de pacientes, nem o valor de minha remuneração. Observei que, em todas as discussões que precediam a escravização da medicina, tudo se discutia, menos os desejos dos médicos. As pessoas só se preocupavam com o “bem-estar” dos pacientes, sem pensar naqueles que o proporcionavam.
A ideia de que os médicos teriam direitos, desejos e opiniões em relação à questão era considerada egoísta e irrelevante. Não cabe a eles opinar, diziam, e sim apenas “servir”. Que um homem disposto a trabalhar sob compulsão é um irracional perigoso para trabalhar até mesmo num matadouro é coisa que jamais ocorreu àqueles que se propunham a ajudar os doentes tornando a vida impossível para os sãos.
Muitas vezes me espanto diante da presunção com que as pessoas afirmam seu direito de me escravizar, controlar meu trabalho, dobrar minha vontade, violar minha consciência e sufocar minha mente – o que elas vão esperar de mim quando eu as estiver operando? O código moral delas lhes ensinou que vale a pena confiar na virtude de suas vítimas. Pois é essa virtude que eu agora lhes nego.
Que elas descubram o tipo de médico que o sistema delas vai produzir. Que descubram, nas salas de operação e nas enfermarias, que não é seguro confiar suas vidas às mãos de um homem cuja vida elas sufocaram. Não é seguro se ele é o tipo de homem que se ressente disso – e é menos seguro ainda se ele é o tipo de homem que não se ressente." (fim da citação do depoimento do Dr. Hendricks).
Concluindo: quem tem o poder, quando o assunto é a saúde pública e o trabalho médico a ela agregado, tem suas próprias noções e joga para convencer a opinião pública do acerto delas. Os anseios e conhecimentos dos médicos são desconsiderados sob o rótulo genérico de corporativismo. Pensam eles que o povo, embora sempre precise de médicos, não gosta deles. Os sinais são claros: o governo, por meio dos que agem em nome da lei, quer dos médicos apenas sequestrar o seu trabalho e tirar o seu dinheiro por meio de impostos elevados.  Isso se dá por meio de regras frias, assimétricas, entre um lado que concentra todo o poder e outro que é induzido ao silêncio e ao medo. O resultado que fica é a compulsão ao trabalho e o assédio moral. E uma pergunta que não quer calar: -Até quando?

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Luta por trabalho decente mobiliza profissionais do SUS

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***** FAX SINDICAL  16 / 07 / 2 0 1 4 *****
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***** .'. Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora e da Zona da Mata .'. *****
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*** Unido na luta em defesa do trabalho decente e do reconhecimento do mérito, para uma saúde de qualidade para todos os brasileiros ***
Juiz de Fora, 16 de julho de 2014


Assembleia permanente dos médicos de Juiz de Fora

Ontem, em assembleia realizada na Sociedade de Medicina e Cirurgia de Juiz de Fora, ficou decidida a Assembleia Permanente, como parte da Campanha Salarial dos Médicos da Rede Privada.

Foi aprovada a reivindicação de remuneração pelo Piso Nacional da Fenam (Federação Nacional dos Médicos), atualmente em R$10.991,19 (dez mil, novecentos e noventa e um reais e dezenove centavos). Esse piso é uma bandeira de lutas que a classe médica não vai abandonar. Há muito denunciamos que os salários ruins (os mais baixos entre as carreiras de nível universitário do serviço público), exercem uma influência negativa, depreciando os profissionais da Medicina. Agora, na reivindicação do piso salarial da rede privada, o sindicato vai mobilizar todos os profissionais dos serviços privados em torno dessa bandeira e contra a exploração do trabalho médico visando lucros e benefícios para pessoas se aproveitam do médico.

Essa campanha abrange inclusive os serviços terceirizados, o que inclui as UPAs e consórcios ditos públicos (que são de direito privado).

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Negociações com a Prefeitura de Juiz de Fora
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Os médicos da prefeitura de Juiz de Fora não receberão boas notícias da atual administração municipal.

Depois do governo Bruno Siqueira ter aderido ao “Mais Médicos” (em uma cidade que tem um médicos para cada 220 habitantes e tem três faculdades de Medicina) não há qualquer sinalização de interesse da prefeitura em atrair e fixar médicos no serviço público.

A Secretaria de Administração e Recursos Humanos não apresentou ao Sindicato dos Médicos o cronograma da implantação do Plano de Cargos, Salários e Vencimentos (PCCS).

Os médicos especialistas (atenção secundária) não receberam qualquer proposta de gratificação. O secretário de saúde teve a atitude absurda de propor 4 consultas a mais para cada especialista no valor de (pasmem!) 10 (dez) reais. Essa proposta foi rejeitada por unanimidade pela assembleia. Como se não bastasse, fez outra proposta (risível) de comprar cada consulta a 12 (doze) !!!! reais. Essa proposta também foi rejeitada por unanimidade.

A mobilização, nesse momento, se faz necessária. É impossível a prefeitura continuar apostando no trabalho precário e pagando menos de mil e seiscentos reais a um médico especialista (seis anos de estudos universitário em tempo integral e mais três anos, no mínimo, de formação especializada, também em tempo integral) que ingresse hoje nos quadros da prefeitura. Alguém tem que alertar ao prefeito Bruno Siqueira. Essa política leva ao desastre!

Prefeito Bruno Siqueira, o senhor está sendo mal assessorado na condução dos assuntos da saúde. A sua responsabilidade, senhor prefeito, é muito grande.

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A MÁFIA DOS CONSÓRCIOS DE SAÚDE QUER ASSAMBARCAR O SERVIÇO PÚBLICO DE CONTAGEM
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MG: governo municipal quer terceirizar serviços médicos

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Médicos devem boicotar consórcios e rejeitar a proposta prejudicial de constituir pessoas jurídicas.




Foto: Divulgação

16/07/2014

Recentemente, a área saúde de Contagem foi alvo de muitas reclamações. Manifestações e protestos marcaram a insatisfação por parte dos servidores. A população, cheia de razão, continua implorando mudanças para a novela que se tornou assunto na cidade.
No entanto, o capítulo seguinte não parece ter um desfecho feliz. Em cena, uma possível parceria com o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paraopeba (Cismep) assusta uma parcela dos trabalhadores da categoria.
O Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG) contesta a estratégia e chama a atenção da categoria para o risco de ela perder direitos trabalhistas e de a prefeitura poder contratar sem concurso público.
De acordo com o diretor de defesa profissional do Sinmed - MG, Eduardo Filgueiras, o sindicato condena a possível parceria e tem trabalhado com afinco para esclarecer aos servidores e, consequentemente, à população que a ação não é de interesse público e nem profissional. “O município contrata o consórcio que contrata uma empresa administradora que, por sua vez, contrata as empresas executoras, como forma de terceirização”, afirma Filgueiras.
A proposta de adesão ao consórcio é, num primeiro momento, muito atrativa, já que os salários oferecidos por procedimentos e/ou plantões são superiores aos recebidos atualmente. Porém, Eduardo Filgueiras explica que para que os médicos passem a ser conveniados é preciso de que eles sejam contratados como pessoa jurídica, e não física, por meio de uma empresa terceirizada. “A empresa contrata os médicos como pessoa jurídica, exatamente para ficar livre das questões trabalhistas, ou seja, um mecanismo para desestimular o trabalho efetivo”, declarou o diretor de defesa profissional do Sinmed-MG.
Na ocasião, ele falou ainda que o sindicato está focado em alertar os servidores para a chamada “pjotização” que nada mais é que uma armadilha estratégica do setor público principalmente em relação aos médicos. “Ao se associar ao Cismep, os médicos não terão vínculos e garantias de trabalho seguro; não receberão férias, horas extras, 13º salário, adicional insalubridade, entre outros benefícios conquistados pela categoria”, reforçou.
Em assembleia, realizada no último dia 30, o Sinmed - MG destacou que a ação do Cismep não resolve a atual situação da saúde em Contagem. A presidente do Sinmed-MG, Amélia Pêssoa, lembrou que o Consórcio escolhe os serviços que quer prestar. Com isso, uma vasta gama de procedimentos e cirurgias eletivas não é realizada – por não ser interessante financeiramente – prejudicando muito a população, que fica ainda mais desassistida.
Segundo o Sinmed-MG, a contratação de médicos temporariamente e por meio de pessoa jurídica não apenas viola os princípios constitucionais que regem a administração pública, mas ameaçam o bom desempenho da prestação de serviço de saúde por parte do consórcio.
Proposta antiga
Em Contagem, já houve uma tentativa de aderir ao Cismep no começo de 2013, mas a ação não foi adiante. A Prefeitura de Contagem estabeleceu até 21 de julho para os médicos assinarem o contrato com o consórcio. A maioria deles já atuava como RPA (Recibo de Pagamento à Autônomo). No entanto, a expectativa é a de que a partir do próximo dia 20 aconteça a implantação oficial do consórcio na cidade.
O Sinmed- MG continua se esforçando para que essa adesão não aconteça. “Já tentamos negociar com o município, por meio da secretaria de saúde, mas ainda não conseguimos nada. Então, estamos fazendo o nosso papel de informar o servidor e também a população sobre os riscos. E estamos entrando com ações junto ao Ministério Público”, disse Filgueiras.
Contrapartida
Em nota, a Prefeitura Municipal de Contagem informou que as informações de terceirização do trabalho médico não procedem.
Segundo a assessoria do governo municipal, “o que existe é uma parceria celebrada com o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paraopeba (Cismep) firmada desde 2013. Essa parceria tem gerado vantagens diretas para os servidores médicos que se associaram ao Cismep, que conseguiram ganhos reais em sua remuneração. Já o município se beneficiou do auxílio que o consórcio dá na montagem das equipes e nas escalas de trabalho”.
A assessoria de comunicação revelou ainda que o Cismep terá grande utilidade. “Em Contagem, o Cismep auxiliará nos setores de urgência e emergência da rede municipal de Saúde. Afora estes setores, toda a rede municipal de saúde é atendida pelos servidores médicos efetivos e de carreira da prefeitura”.
Riscos
Segundo o Sinmed-MG, os médicos que aderem ao Cismep podem encontrar muitas desvantagens, sendo elas:
- São obrigados a atuarem como pessoas jurídicas, perdendo garantias de trabalho;
- Ausência de vínculos empregatícios;
- Garantias de trabalhos de seguro;
- Não tem direito ao FGTS, férias, 13º salário, adicional de insalubridade e noturno;
- Não tem direito a licença por doença ou por maternidade;
- O médico responde juridicamente pelo Código de Defesa do Consumidor e, se for acusado por algum possível erro, terá que provar sua inocência;
- Não contará com a proteção do sindicato dos médicos, já que a entidade só pode representar pessoas físicas.
Médicos farão nova assembleia
Conforme informou o Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, foi marcada uma nova assembleia geral para a próxima quarta (16), às 19h, na sede da entidade, em Belo Horizonte. A convocação tem o objetivo de tratar sobre a situação dos médicos de Contagem, com a possível adesão ao Cismep.
Na reunião pretende-se discutir vários tópicos como:
- Agendamento de reunião com os gestores para tratar sobre as reivindicações feitas pelo sindicato;
- Preparação de uma ação civil pública contra o Cismep em Contagem, a exemplo do que foi feito em Betim;
- Envio de ofício solicitando reuniões com o Ministério Público da Saúde e do Trabalho para denunciar a situação, chamada por eles de “quarteirização”;
- Envio de uma denúncia formal sobre a situação do Cismep ao Ministério Público;
- Elaboração de uma ação de cobrança judicial sobre a questão do não pagamento dos plantões de meio de semana;
- Elaboração de ação judicial e promover ações políticas como o envio de dossiê aos vereadores do município, buscando informá-los sobre a situação e apoio em busca de uma saúde pública de melhor qualidade em Contagem;
- Orientação aos médicos que não conseguirem resolver administrativamente a questão do recebimento dos descontos indevidos no Fundo de Previdência dos Servidores do Município de Contagem (Previcon) para procurarem o sindicato, para que sejam tomadas as medidas legais cabíveis em cada caso.

Fonte: Sinmed/MG

Leia mais:
Não vão nos calar!
#CRISEnoSUS 1 - Precariedade de vínculo empregatício no SUS - médicos do SAMU de Sergipe em luta.
#CRISEnoSUS 2 - Mais Médicos não é o paraíso que governo e mídia querem fazer crer: em Araçatuba, cubanos ameaçam paralisação e está se tornando frequente a fuga de cubanos. Mais um "desaparecimento" registrado. Sem transparência, Ministério da Saúde finge desconhecer essa realidade.

Confira as notícias abaixo:

#CRISEnoSUS Precarização do serviço público de saúde - SAMU de Sergipe:

Médicos do Samu participam de nova assembleia
Categoria iria avaliar proposta de reajuste e reforma do Samu


Os médicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) voltaram a se reunir na manhã desta sexta-feira, 11, no Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed). O objetivo do encontro era avaliar a proposta de reajuste salarial e o cronograma de reestruturação das bases e ambulâncias do Samu, mas o documento não foi enviado pela Fundação Hospitalar da Saúde (FHS).
De acordo com um dos diretores do Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed), Carlos Spina, os médicos foram convocados para avaliar a resposta do Governo e das negociações.
“Nós tivemos uma reunião com a Fundação Hospitalar da Saúde (FHS) para tratar do reajuste salarial, isonomia e plano de carreira. Na primeira reunião, a FHS deu suas desculpas e disse que iria providenciar e fazer as contas. Disseram que se tivessem dinheiro fariam as reformas das bases e ambulâncias do Samu. Então, a gente cobrou que enviasse um cronograma das reformas das bases, da manutenção das ambulâncias e foi prometido que mandariam até hoje, mas não recebemos”.
Sem o cronograma em mãos, durante a assembleia os médicos deliberaram que irão oficializar a questão. “Vamos reiterar os ofícios de que não mandaram os cronogramas das reformas das bases do Samu e das ambulâncias. Vamos aguardar o próximo pagamento para saber se as promessas de se pagar com os reajustes de 6.38%, nos mesmos moldes que está sendo pago ao servidor, está sendo cumprida.”, alerta.
SES
A assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde se comprometeu a enviar nota de esclarecimento, mas até a publicação desta matéria, nenhuma explicação havia sido encaminhada. O Portal Infonet está à disposição através do telefone (79) 2106 8000 e do email jornalismo@infonet.com.br.



#CRISEnoSUS - MAL ESTAR NO MINISTÉRIO DA SAÚDE - A CADA SEMANA SE REPETE A NOTÍCIA DA FUGA DE ALGUM MÉDICO CUBANO SUBMETIDO A “CONDIÇÕES DE TRABALHO ANÁLOGAS À ESCRAVIDÃO” NO BRASIL

15/07/2014 15h16 - Atualizado em 15/07/2014 15h40

Médicos cubanos ameaçam parar em Araçatuba (SP)

Chico Siqueira, especial para AE/Agência Estado



Vinte e dois médicos cubanos do Programa Mais Médicos ameaçam abandonar suas atividades em Araçatuba, no interior de São Paulo, porque a prefeitura da cidade - administrada pelo PT - não pagou os auxílios de moradia e alimentação devido a eles. Além de não pagar os auxílios, a Prefeitura também os constrange ao cobrar notas fiscais e comprovantes dos gastos com os auxílios.
Os médicos também acusam a Prefeitura de se negar a fazer os repasses individuais a eles - conforme determina a lei -, quando o médico é casado com outro profissional do mesmo programa. Para piorar, a Prefeitura anunciou que vai reduzir em 32% o valor do auxílio-moradia aos profissionais cubanos.

Pela portaria interministerial 1.369, de 8 de julho de 2013, que regulamenta o Programa Mais Médicos, o pagamento dos auxílios é uma obrigação que cabe a cada município incluído no programa. Os municípios são obrigados a arcar com o fornecimento de moradia, alimentação, água e transporte dos profissionais, enquanto o salário é pago pelo Governo Federal.

Por conta da situação, os médicos dizem que querem deixar a cidade e procurar "outros municípios, onde seremos mais respeitados". Cada médico recebe R$ 2,5 mil de auxílio moradia e R$ 500,00 de auxílio alimentação. Os auxílios deveriam ter sido pagos dia 1º deste mês.

"Com o atraso não temos dinheiro para pagar o aluguel e as outras despesas com energia elétrica, gás, condomínio e água", contou um casal de médicos cubanos que pediu para não ser identificado. O casal disse que a prefeitura também não quer pagar os auxílios individuais para cada um. "Eles querem que a gente receba somente um auxílio para cada casal, pensamos que isso não é legal", afirmou o casal.

Nesta terça-feira, 15, a prefeitura, além de não pagar os médicos, anunciou que vai reduzir o valor do auxílio-moradia. Os auxílios foram instituídos por lei municipal, de 30 de dezembro de 2013, que estabeleceu o valor máximo de até R$ 2,5 mil para auxílio moradia e R$ 500 para auxílio alimentação.

A prefeitura alega que, como o valor foi definido como teto, pode legalmente reduzi-lo e, por isso, vai pagar somente R$ 1,7 mil como auxílio-moradia a cada médico. No entanto, como já iniciou o programa pagando o teto, advogados dizem que ela não poderia reduzir os valores. Sobre o pagamento atrasado, a Prefeitura informou, por meio de nota, que vai colocá-lo em dia a partir de sexta-feira, 18.

O secretário de Saúde de Araçatuba, José Carlos Teixeira, disse em nota que a redução do valor do auxílio foi estabelecida em acordo com os médicos, que de agora em diante não precisarão mais prestar contas dos seus gastos. Segundo Teixeira, a Secretaria de Saúde de Araçatuba teve cuidado de verificar em outros sete municípios a maneira como os auxílios são pagos e chegou à conclusão de que o valor de R$ 1,7 mil é suficiente para cobrir os gastos dos médicos.

No entanto, o presidente do diretório do PT de Araçatuba, Fernando Zahr, disse que a cobrança de comprovantes de gastos pela Prefeitura é uma atitude constrangedora para o município e para seu partido. Segundo ele, os médicos cubanos foram bem recebidos e estão prestando um excelente serviço, mudando a forma de atendimento nas unidades de saúde do município. Desde maio, quando iniciaram os trabalhos, os médicos cubanos fizeram 6,574 consultas nas unidades do município.

Decepcionados com a situação, alguns médicos disseram que estão procurando o Ministério da Saúde para tentar se transferir de cidade. "A gente até gostou da cidade e temos de cumprir nossas tarefas, mas também precisamos ser respeitados", disse um dos médicos.

http://www.redetv.uol.com.br/jornalismo/portaljornalismo/Noticia.aspx?118,4,625154,126,Medicos-cubanos-ameacam-parar-em-Aracatuba-SP

Cubana do Mais Médicos abandona posto e secretaria registra sumiço
Secretaria de Saúde chegou a registrar o desaparecimento da profissional. Polícia, porém, diz que houve abandono de emprego pela cubana.
Médica cubana Estância Velha RS (Foto: Reprodução/Facebook)Médica cubana de 28 anos falou com amigos pelo Facebook, diz polícia (Foto: Reprodução/Facebook)
Uma médica cubana do programa Mais Médicos não aparece para trabalhar desde 1º de julho no município de Estância Velha, no Vale do Sinos, Região Metropolitana de Porto Alegre. A Secretaria de Saúde do município chegou a registrar um boletim de ocorrência, mas a polícia trata o caso como abandono de emprego.

De acordo com nota da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Yasel Quintana Almeida, de 28 anos, havia solicitado dispensa até o dia 1º para participar de uma atividade de ordem particular, em Porto Alegre. Mas desde então não apareceu mais para trabalhar no posto de saúde do município. Na segunda-feira (7), o órgão registrou o sumiço da médica na delegacia do município, que começou a investigar o caso.

Conforme o delegado Luiz Fernando Nunes da Silva, no entanto, não se trata de desaparecimento. A médica, que dividia o apartamento com outra colega cubana que trabalha na cidade, fez contato com amigos e disse que estava bem, mas tinha "abandonado a missão". "Ela levou todos os pertences pessoais dela. Ela não está desaparecida, apenas abandonou o emprego", afirmou o delegado.

O delegado diz que fez contato com a Polícia Federal (PF), que confirmou não haver registro da saída da cubana do país. O paradeiro dela, porém, é desconhecido, segundo o delegado. A polícia trata o caso como encerrado, já que não há indícios de qualquer crime. A Secretaria de Saúde de Estância Velha diz que comunicou a coordenação do programa Mais Médicos, do governo federal, sobre o episódio.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O "amor por princípio" e a inoculação do ódio na política contemporânea

“Eu ouvi a injúria de tantos homens e os vi espalhando medo ao redor.” (Jeremias 20,10)

A bandeira do Brasil, tem seu lema “Ordem e Progresso” inspirado no preceito do filósofo Augusto Comte: “O amor por princípio, a ordem por base e o progresso como objetivo.”

Quando se quer estabelecer o ódio ou a corrupção como princípio, a ordem daí derivada não levará ao progresso, mas sim à divisão, ao conflito e ao atraso.

Devemos refletir sobre a inoculação do ódio na política, uma característica desses dias que correm.

Primeira Leitura (Jr
20,10-13)
Leitura do Livro do
Profeta Jeremias:
Jeremias disse: 10“Eu
ouvi as injúrias de
tantos homens e os vi
espalhando o medo em
redor: ‘Denunciai-o,
denunciemo-lo’. Todos os
amigos observam minhas
falhas: ‘Talvez ele
cometa um engano e nós
poderemos apanhá-lo e
desforrar-nos dele’.
11Mas o Senhor está ao
meu lado, como forte
guerreiro; por isso, os
que me perseguem cairão
vencidos. Por não terem
tido êxito, eles se
cobrirão de vergonha.
Eterna infâmia, que
nunca se apaga!
12Ó Senhor dos exércitos,
que provas o homem justo
e vês os sentimentos do
coração, rogo-te me faças
ver tua vingança sobre
eles; pois eu te declarei
a minha causa.
13Cantai ao Senhor,
louvai o Senhor, pois ele
salvou a vida de um
pobre homem das mãos dos
maus”.